14/08/07

herói do caos aéreo

“Pobre do país que precisa de heróis”, dizia Brecht. Mas Brecht era um mentiroso cínico. Todo país precisa de heróis. Tanto precisa que, quando na hora do aperto não encontra nenhum, inventa logo algum simulacro patético e se apega a ele com aquela esperança histérica que nasce do matrimônio da covardia com a estupidez.
Heróis genuínos fazem-se desde dentro, na luta da alma pela verdade da existência. Antes de brilhar em ações espetaculares, têm de vencer a mentira interior e pagar, com a solidão moral extrema, o preço da sinceridade. (O.de Carvalho)

Agora temos Nelson Jobim , nosso herói do caos aéreo . Vejam bem :
Nelson Jobim confessou ter fraudado a Constituição brasileira de 1988 ao revelar que nela incluíra a um artigo incisos que não foram aprovados pelos constituintes. Confessou a "ousadia", em tom de "contador de vantagens". Mas, quando sua confissão provocou escândalo, Jobim atribuiu a falsificação ao presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães, falecido 11 anos antes. Um estudo realizado pelos professores Adriano Benayon e Pedro Dourado de Rezende, mostra que Jobim, como relator da Revisão Constitucional, determinada pela própria Constituição para cinco anos após a sua promulgação, adicionou, na verdade, três incisos ao artigo 172 da Carta Magna, para proibir que os recursos destinados ao pagamento de juros aos bancos pudessem ser remanejados no Orçamento, o que fez com que o serviço da dívida fosse multiplicado. Dos 74 projetos de alteração da Constituição que Jobim apresentou, somente seis foram aprovados. Um deles, o que reduziu o mandato do presidente de 5 para 4 anos e outro o que promoveu a criação do Fundo Social de Emergência, em seguida usado por FHC para "emprestar" dinheiro da área social para os juros dos bancos. Há lógica. Durante anos, Jobim, ao mesmo tempo em que era deputado federal, mantinha um escritório de advocacia em Brasília - o "Escritório Ferrão" –, no Edifício Belvedere, Asa Sul, cujos dois outros sócios eram Eliseu Padilha, futuro deputado e futuro ministro (também de FHC) e Ferrão, que dava nome ao escritório. O estabelecimento tinha fama de ser o pioneiro no lobby em favor de multinacionais, de instituições "filantrópicas" e de bancos estrangeiros, inclusive o do maior credor da dívida pública brasileira, o banco norte-americano Citibank. Quando Jobim foi eleito deputado, portanto, o Escritório Ferrão, teoricamente, continuou a ter um representante no Congresso e outro no Ministério. Eliseu Padilha também veio a se tornar ministro de FHC, quando Jobim, em 1997, foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal.
Nélson Jobim, como ministro e presidente do STF (Superior Tribunal Federal), entre outras medidas pró-governo - dessa vez já sob Lula e não mais sob o velho amigo FHC -, concedeu, em setembro de 2005, uma liminar que impediu que o Conselho de Ética da Câmara de abrir processo contra seis deputados do PT acusados de envolvimento com o esquema de distribuição de verbas do publicitário Marcos Valério – vulgo "mensalão". Os beneficiados foram os deputados João Paulo Cunha (SP), Josias Gomes (BA), Professor Luizinho (SP), Paulo Rocha (PA), José Mentor (SP) e João Magno (MG). No entender de Jobim, eles não teriam tido direito a defesa prévia, mas, a bem da verdade, a decisão acabou dando mais tempo aos parlamentares acusados para renunciar e manter, assim, os direitos políticos. Não é usual que o presidente do STF tome decisões em mandado de segurança, cujo exame cabe a um dos outros dez ministros que for escolhido como relator por sorteio eletrônico – este sim feito pelo presidente da casa. Entretanto, Jobim disse que decidiu por conta própria porque considerou o caso urgente.
(Dados recolhidos por Christina Fontenelle , Jornalista)

Legitima é a suspeita que tenho nesse herói da hora . Vamos ver por exemplo se realmente as escalas dos aviões serão transferidas de São Paulo para outras capitais .
Se o homem tem realmente consciência social e pouco rabo preso .

Silvio D'Amico